Ídolo do Botafogo foi assombrado por racismo na Seleção: ‘Não tem cor que segure o talento de um jogador’

Aos 43 anos, Jefferson vive um novo momento de sua vida. Morando nos Estados Unidos, o ídolo do Botafogo recentemente iniciou carreira como preparador de goleiros das categorias de base do Orlando City e sonha alto na nova função.

“O meu primeiro sonho mesmo é chegar à Seleção Brasileira de base. Eu realmente gosto de trabalhar com os garotos, gosto de fazer essa formação. Hoje, se tiver uma oportunidade na categoria de base da Seleção, com certeza vou. Futuramente, com certeza, tenho o sonho de voltar pro Botafogo como treinador de goleiro”, conta em conversa com o Terra.

Quando concretizar o desejo, o ex-goleiro voltará a um lugar que se acostumou a frequentar durante a carreira como jogador profissional. Entre 2010 e 2015, foi presença constante nas convocações e chegou até mesmo a jogar a Copa do Mundo, em 2014.

A realização do sonho embaixo das traves, porém, não foi fácil para Jefferson. Após ser convocado por Felipão para o Mundial, o ídolo do Botafogo se deparou com o questionamento que persegue goleiros negros no futebol brasileiro: a falha de Barbosa no ‘Maracanazo’, em 1950. A derrota histórica do Brasil para o Uruguai por 2 a 1 na Copa do Mundo daquele ano –muito atrelada a um erro do goleiro vascaíno no segundo e decisivo gol uruguaio, marcado por Alcides Ghiggia– parece que nunca mais será esquecida e ecoava mesmo 64 anos depois com comparações atreladas única e exclusivamente à semelhança da cor de pele dos dois atletas.

“A gente não pode se vitimizar, mas a gente sabe que existe [racismo contra goleiros negros]. Quando fui pra Copa do Mundo, o tema mais levantado foi o do Barbosa. Era uma coisa que já tinha sido esquecida e as perguntas que estavam sendo feitas pra mim era a questão do Barbosa. Você vê que ainda tá viva aquela questão e vê até algumas brincadeiras de que goleiros negros não dão certo”, recorda.

Créditos: Terra.